MedEvo

MedDrop #71

Anvisa aprova Yesintek e Densurko e Inovação na Endometriose

🏥 Plantão #71 — Terça-feira, 12 de Maio de 2026

⏱ ~7 min de leitura | 11 stories

_A medicina que importa, todo dia._

🧠 Hoje eu aprendi...

que os icônicos postes listrados das barbearias hipster têm uma origem médica sangrenta na Idade Média. O vermelho representava o sangue arterial, o azul o sangue venoso e o branco as bandagens, servindo como placa de sinalização para os locais onde os "barbeiros-cirurgiões" realizavam desde simples cortes de cabelo até extrações dentárias, sangrias e pequenas cirurgias ambulatoriais.

_Fonte: Barbas Club, 2016; Revista Galileu, 2017._

No Plantão de hoje:

• Anvisa aprova Yesintek e Densurko: novos marcos na imunomediação e asma grave

• Radiotraçador maraciclatide "acende" focos ocultos de endometriose em exame de imagem

• 🩺 Na Prática: protocolo de manejo da dor e suspeita de endometriose profunda

• ⚡ 6 Quick Drops com novidades da FDA e saúde pública brasileira

• 📈 Contra Dados: o paradoxo do recorde de transplantes e a alta taxa de recusa familiar

Anvisa registra Yesintek e Densurko: nova era na imunomediação brasileira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda-feira (11/05) o registro de dois novos medicamentos biológicos que prometem mudar o panorama de tratamento para milhares de pacientes brasileiros. O Yesintek (ustequinumabe), desenvolvido através de rigorosos testes de comparabilidade ao medicamento de referência Stelara, recebeu o aval regulatório para o tratamento de psoríase em placas moderada a grave, artrite psoriásica, doença de Crohn e colite ulcerativa. Trata-se de um avanço significativo na oferta de biosimilares de alta complexidade no mercado nacional.

Paralelamente, a agência também registrou o Densurko (depemoquimabe), uma nova solução injetável indicada para o tratamento complementar de manutenção da asma eosinofílica grave e da rinossinusite crônica com pólipos nasais graves. A grande inovação deste anticorpo monoclonal reside na sua ultra-longa duração. Os dados robustos dos estudos clínicos de fase 3, SWIFT-1 e SWIFT-2, demonstraram que o depemoquimabe é capaz de reduzir em até 54% a taxa anualizada de exacerbações clinicamente significativas com um esquema posológico de apenas duas aplicações por ano (uma a cada seis meses).

Por que isso importa? O ustequinumabe é uma terapia fundamental, mas de alto custo, para doenças inflamatórias. A introdução de biosimilares como o Yesintek tende a estimular a concorrência, forçar a redução de preços e, consequentemente, facilitar a incorporação dessas tecnologias tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto nos formulários de planos de saúde suplementares. Já no caso da asma grave, a posologia semestral do Densurko resolve um dos maiores gargalos da prática clínica: a adesão ao tratamento. Substituir aplicações mensais por apenas duas injeções anuais é um salto na qualidade de vida do paciente e na eficiência da gestão de cuidados.

E agora? Com o registro publicado na Resolução RE 1.896/2026, o próximo passo burocrático obrigatório recai sobre a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que deverá definir o teto de preços antes que os produtos cheguem às prateleiras e hospitais. Para o médico especialista, o cenário de 2026 começa com ferramentas mais potentes e convenientes para o manejo de patologias imunomediadas de difícil controle.

🔗 https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-05/anvisa-libera-registro-de-remedios-para-tratar-psoriase-e-asma

SPECT-CT com maraciclatide: o fim da "cirurgia exploratória" na endometriose?

Um estudo clínico de fase 2, prospectivo e inovador, publicado no periódico The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health (estudo DETECT), trouxe resultados que podem revolucionar o algoritmo diagnóstico da endometriose. Pesquisadores validaram o uso de um novo radiotraçador, o 99mTc-maraciclatide, que atua como um agente de imagem molecular. Esse traçador se liga especificamente à integrina αvβ3, uma proteína que é altamente expressa durante o processo de angiogênese, que por sua vez é o mecanismo central que permite que o tecido endometrial cresça e se espalhe para fora da cavidade uterina.

O estudo envolveu 19 mulheres com suspeita ou confirmação de endometriose pélvica ou torácica. Os resultados foram impressionantes: o exame de imagem SPECT-CT utilizando o maraciclatide demonstrou uma concordância de 82% com os achados cirúrgicos reais. Mais notável ainda foi a especificidade de 100%, sem nenhum falso positivo registrado na amostra. O exame conseguiu "iluminar" lesões em 14 das 17 participantes que tiveram confirmação cirúrgica posterior, incluindo casos complexos de endometriose torácica.

Por que isso importa? A medicina enfrenta um desafio histórico com a endometriose peritoneal superficial (SPE). Diferente dos endometriomas ovarianos ou da doença infiltrativa profunda, a SPE é frequentemente invisível nos métodos de imagem convencionais, como o ultrassom transvaginal especializado ou a ressonância magnética de pelve. Isso contribui para um atraso diagnóstico médio agonizante que varia de 8 a 10 anos ao redor do mundo. Atualmente, para confirmar a presença dessas lesões superficiais, a paciente muitas vezes precisa ser submetida a uma laparoscopia diagnóstica, que é um procedimento cirúrgico invasivo sob anestesia geral.

E agora? O maraciclatide, desenvolvido pela Serac Healthcare em parceria com a Universidade de Oxford, provou ser capaz de detectar focos de doença que não foram visualizados em exames de rotina realizados pelas mesmas pacientes nos 12 meses anteriores. Embora ainda sejam necessários estudos multicêntricos de fase 3 para consolidar a eficácia diagnóstica, estamos diante de uma potencial mudança de paradigma: a transição de um diagnóstico cirúrgico-dependente para um diagnóstico por imagem molecular de alta precisão. Isso significaria diagnósticos anos mais precoces, menor morbidade cirúrgica e um tratamento muito mais direcionado desde o início dos sintomas.

🔗 https://www.thelancet.com/journals/lanogw/article/PIIS3050-5038(26)00048-8/fulltext

QUICK DROPS

🌎 _Mundo Afora_

FDA: Aprovado o Vepdegestrant (Veppanu), o primeiro degradador seletivo de receptor de estrogênio (PROTAC) oral, para tratamento de câncer de mama avançado ou metastático com mutação ESR1. https://www.drugs.com/newdrugs.html

Targeted Oncology: Resultados do ensaio KEYNOTE-B96 mostram que a combinação de pembrolizumabe com quimioterapia apresenta dados de sobrevida encorajadores em pacientes com câncer de ovário, uma população com alta necessidade médica não atendida. https://www.targetedoncology.com/view/q1-2026-5-fda-decisions-to-watch-in-oncology

The Lancet: Um novo relatório reforça a urgência da detecção precoce da Doença Renal Crônica (DRC), que já afeta cerca de 850 milhões de pessoas globalmente, visando frear a progressão para falência renal. https://ourhealtho.com/health-insight-may-09-2026/

🇧🇷 _Brasil Adentro_

Conitec: A Consulta Pública nº 33 segue recebendo contribuições até o dia 25 de maio para avaliar a ampliação do uso de anfotericina B lipídica no tratamento da leishmaniose visceral no SUS, buscando reduzir a toxicidade renal do tratamento padrão. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/ministerio-da-saude-abre-consultas-publicas-para-atualizar-tratamento-da-leishmaniose-visceral-no-sus

SES-MS: O estado do Mato Grosso do Sul confirmou a 17ª morte por chikungunya em 2026. O estado concentra atualmente 70% de todos os óbitos pela doença registrados no Brasil neste ano, sinalizando um surto crítico na região. https://mjunews.com.br/estadual/com-17-mortes-por-chikungunya-ms-iguala-total-de-2025-e-concentra-70-dos-obitos-do-pais/

CFM: O Conselho Federal de Medicina avança na implementação da plataforma Atesta CFM, que será obrigatória para a validação digital de atestados médicos, combatendo fraudes e garantindo que o emissor seja um médico habilitado. https://atestacfm.org.br/

🩺 NA PRÁTICA — Manejo inicial da suspeita de endometriose

Diante de uma paciente com dismenorreia intensa, dispareunia de profundidade ou dor pélvica crônica cíclica, a conduta inicial não deve aguardar a confirmação por imagem de alta complexidade. O tratamento empírico com AINEs associado a contraceptivos orais combinados (em regime contínuo ou cíclico) ou progestagênios isolados (como o dienogeste) é a primeira linha para controle álgico. A investigação com ultrassonografia com preparo intestinal ou ressonância magnética por radiologista especializado é mandatória se não houver resposta clínica em 3 a 6 meses. Lembre-se: o diagnóstico precoce é a única forma de evitar a progressão para aderências pélvicas graves e infertilidade.

📈 CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

"Apesar de o Brasil ter alcançado o recorde histórico de 31 mil transplantes realizados em 2025, o sistema ainda enfrenta o gargalo da recusa familiar: cerca de 45% das famílias brasileiras ainda negam a doação de órgãos de seus parentes após a morte encefálica confirmada."

🔗 https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/05/07/brasil-bate-recorde-de-transplantes-de-orgaos-em-2025-mas-cerca-de-45percent-das-familias-ainda-nao-autorizam-doacao-revela-novo-levantamento.ghtml

_De plantão pra você, Will 🎩 | Edição #71_