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MedDrop #12

CAR-T Made in Brazil

🏥 Plantão #12 — Quarta-feira, 04 de Março de 2026

⏱ ~6 min de leitura | 9 stories

_A medicina que importa, todo dia._

🧠 Hoje eu aprendi...

que a terapia CAR-T (chimeric antigen receptor T-cell) nasceu de uma intuição do imunologista israelense Zelig Eshhar nos anos 1980: por que não ensinar os linfócitos T do próprio paciente a "enxergar" o câncer como inimigo? A ideia ficou décadas na bancada até que, em 2012, Emily Whitehead, de 7 anos, se tornou a primeira criança curada de leucemia linfoblástica aguda refratária com CAR-T. Hoje, o custo por infusão nos EUA ultrapassa US$ 450 mil.

_Fonte: June CH et al., "CAR T cell immunotherapy for human cancer", Science, 2018_

No Plantão de hoje:

• Fiocruz quer lançar CAR-T brasileiro com custo 80% menor e oferta no SUS

• EUA completam retirada da OMS: o que muda na saúde global?

• 🏛️ Radar Regulatório: Anvisa regulamenta Base de Dados UDI para dispositivos médicos

• ⚡ 6 Quick Drops (Mundo e Brasil)

• 📊 70%: a nova taxa de sobrevida ao câncer em 5 anos graças à imunoterapia

🔬 CAR-T Made in Brazil: Fiocruz mira produção nacional com custo 80% menor

A Fiocruz anunciou, durante o Rio Health Forum, que pretende iniciar as fases 2 e 3 do desenvolvimento de uma terapia CAR-T brasileira ainda em 2026, com oferta pelo SUS.

O presidente da instituição, Mario Moreira, explica que o projeto visa produzir a terapia a um custo até 80% inferior aos tratamentos disponíveis internacionalmente — que hoje ultrapassam R$ 2 milhões por infusão no mercado privado.

Por que isso importa:

A terapia CAR-T reprograma linfócitos T do próprio paciente para atacar células tumorais com CD19+ (leucemias e linfomas). No Brasil, apenas convênios e programas de acesso expandido cobrem o tratamento, deixando a grande maioria dos pacientes do SUS sem alternativa.

O projeto da Fiocruz é apoiado pelo Ministério da Saúde e busca verticalizar toda a cadeia — da separação celular (leucaférese) ao acondicionamento final — em laboratórios nacionais. Se aprovado pela Anvisa após os ensaios, será a primeira terapia celular avançada de produção nacional.

Na prática: Pacientes com linfoma de grandes células B e leucemia linfoblástica aguda refratários a quimio convencional são os primeiros elegíveis. Fique atento às publicações do CAAE e Plataforma Brasil para acompanhar o recrutamento de voluntários.

📎 https://futurodasaude.com.br/fiocruz-pesquisa-car-t-2026/

🌍 EUA completam retirada oficial da OMS: maior contribuinte financeiro deixa a organização

O CDC confirmou que os Estados Unidos concluíram o processo formal de saída da Organização Mundial da Saúde, efetivado por ordem executiva do presidente Trump em janeiro de 2025.

O impacto em números:

Os EUA eram o maior contribuinte da OMS, respondendo por cerca de US$ 690 milhões anuais (≈ 16% do orçamento total). A saída afeta diretamente:

• 🦟 Erradicação da malária e doenças tropicais negligenciadas

• 💉 COVAX e vigilância de pandemias

• 🧪 International Health Regulations (IHR) — monitoramento de surtos

• 🇧🇷 Cooperação técnica com países em desenvolvimento (incluindo Brasil via OMS-OPAS)

O que muda para o Brasil:

A OMS-OPAS mantém presença ativa no SUS, especialmente em vigilância epidemiológica, vacinação e capacitação laboratorial. Com o déficit americano, espera-se pressão para que UE e China compensem o financiamento. O Brasil, como membro do conselho executivo, pode ganhar voz em negociações de reposição.

Na prática: Fique atento a possíveis atrasos em relatórios epidemiológicos globais e redução de programas de acesso a medicamentos via prequalificação OMS.

📎 https://www.cdc.gov/media/releases/2026/united-states-completes-who-withdrawal.html

🏛️ Radar Regulatório

Anvisa aprova regras para a Base de Dados UDI

A Diretoria Colegiada da Anvisa publicou a Instrução Normativa que estabelece os requisitos técnicos para transmissão de dados de Identificação Única de Dispositivos médicos (UDI) ao SIUD — o sistema nacional de rastreabilidade. Fabricantes ganham novos prazos para cadastro e podem autorizar terceiros para transmissão via portal Solicita. A medida alinha o Brasil às práticas de rastreabilidade da FDA e da UE (MDR 2017/745).

📎 https://www.verarosas.com.br/noticias/anvisa-aprova-regras-para-a-base-de-dados-udi-o-que-muda-em-2026

Quick Drops

🌍 Mundo

Sobrevida ao câncer atinge 70% em 5 anos — Cancer Research publicou as estatísticas 2026: imunoterapia impulsiona a maior taxa de sobrevida já registrada, com destaque para melanoma, pulmão e bexiga. https://www.cancerresearch.org/blog/cancer-statistics-2026

BriaCell em Fase 3 para câncer de mama metastático — Nature Medicine destaca o ensaio como "trial to watch in 2026": imunoterapia combinada com checkpoint inhibitor anti-PD-1. https://finance.yahoo.com/news/eleven-clinical-trials-shape-medicine-123000190.html

3 vírus para vigiar em 2026 — Especialista da Universidade de Virginia alerta: influenza A (vigilância pós-saída da OMS), mpox (transmissão vertical confirmada) e Oropouche (ligado a microcefalia). https://www.iflscience.com/these-are-the-3-viruses-to-watch-in-2026-disease-expert-says-82440

🇧🇷 Brasil

Saúde digital: Brasil debate governança no FUTR Health — Evento em SP dia 13/03 reúne decisores da healthtech. Organizado pela Olá Doutor, pioneira em teleconsulta assíncrona. https://valor.globo.com/patrocinado/pressworks/noticia/2026/03/03/a-saude-digital-cresceu-rapido-demais-o-brasil-esta-pronto-para-assumir-as-consequencias-1.ghtml

Fiocruz abre especialização em Ciência de Dados para o SUS — Campus Virtual Fiocruz oferece curso voltado a profissionais que atuam no DATASUS e sistemas de informação em saúde. https://campusvirtual.fiocruz.br/portal/?q=noticia/96036

PSE amplia acesso ao SUS — Pesquisa inédita mostra que o Programa Saúde na Escola consolida elo entre escolas públicas e a atenção primária, reduzindo desigualdades em saúde infantil. https://fiocruz.br/noticia/2026/01/programa-saude-na-escola-amplia-acesso-ao-sus-e-reduz-desigualdades

📊 Stats do dia

70% é a taxa de sobrevida em 5 anos ao câncer, segundo o relatório 2026 da Cancer Research. Há uma década, era ~50%. A maior contribuição? Imunoterapia com checkpoint inhibitors — anti-PD-1, anti-PD-L1 e anti-CTLA-4 — que transformaram prognósticos em melanoma (de 15% para 52%), pulmão NSCLC e carcinoma urotelial. Radioligand therapy e terapias celulares (CAR-T, bispecíficos) são as próximas ondas.

_De plantão pra você, Will 🩺_

_Plantão #12 — 04/Mar/2026_