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MedDrop #88

CMED aperta preços e daraxonrasib muda o jogo no pâncreas

🏥 Plantão #88 — Quinta-feira, 04 de junho de 2026

⏱ ~5 min de leitura | 2 stories

_A medicina que importa, todo dia._

🧠 Hoje eu aprendi... que o conceito moderno de preço máximo de medicamento no Brasil não é “tabela decorativa”. A CMED define teto de preço-fábrica e agora endureceu a referência internacional para novos produtos, o que muda a conversa antes de o remédio chegar à prescrição.

🔗 https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/cmed-atualiza-e-aprimora-a-precificacao-de-novos-medicamentos-no-pais

No Plantão de hoje:

• CMED muda a regra do jogo para preço de novos medicamentos no Brasil.

• Daraxonrasib quase dobra sobrevida em câncer pancreático metastático previamente tratado.

• Quick Drops com radioterapia no SUS, Hackathon SUS, IA em mamografia e Ebola Bundibugyo.

• Termômetro: inovação em saúde virou política industrial, não só palestra com crachá.

• Contra Dados: mais evidência, menos oba-oba na adoção de IA clínica.

CMED aperta a régua: novo remédio não pode chegar mais caro que o menor preço internacional

A CMED colocou em vigor a Resolução 3/25, atualizando as regras de precificação de novos medicamentos no Brasil. O ponto que interessa para quem prescreve e para quem compra é simples: quando houver comparação internacional, o preço-fábrica proposto pela empresa não poderá superar o menor preço praticado nos países de referência da CMED, já considerando impostos. Traduzindo: acabou um pedaço da ginástica olímpica para justificar preço brasileiro premium.

A norma também cria uma categoria específica para inovação incremental. É o caso clássico da tecnologia que não inventa uma molécula nova, mas melhora uso, adesão ou segurança, como canetas de insulina. Isso parece burocracia, mas mexe em acesso. Se o preço máximo nasce mais racional, a chance de incorporação, compra institucional e negociação futura fica menos delirante.

O detalhe bom é que biossimilares passam a ter limite de até 80% do preço do biológico original. O detalhe chato, como sempre, é que teto não é desconto automático no balcão. Para o médico, vale acompanhar: preço regulado melhor não substitui avaliação crítica, mas pode tirar alguns absurdos da frente antes mesmo da consulta.

🔗 https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/cmed-atualiza-e-aprimora-a-precificacao-de-novos-medicamentos-no-pais

🔗 https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/05/29/governo-endurece-regras-para-preco-de-novos-medicamentos-e-limita-valores-acima-dos-praticados-no-exterior.ghtml

Daraxonrasib no câncer pancreático: quando “quase dobrou sobrevida” não é manchete preguiçosa

O estudo de fase 3 RASolute 302, publicado no New England Journal of Medicine e apresentado no congresso da ASCO, trouxe um daqueles resultados que fazem oncologista levantar a sobrancelha. Em 500 pacientes com adenocarcinoma pancreático metastático previamente tratado, daraxonrasib teve mediana de sobrevida global de 13,2 meses contra 6,7 meses com quimioterapia escolhida pelo investigador. Sobrevida livre de progressão também dobrou: 7,2 contra 3,6 meses.

O racional é elegante. O daraxonrasib mira a via RAS, historicamente tratada como “indrogável”, esse termo que a oncologia adora usar até alguém provar o contrário. A maioria dos participantes tinha mutação RAS comum nesse tumor, e o ganho veio em cenário difícil, pós-tratamento, onde a medicina costuma oferecer mais honestidade do que milagre.

Mas não virou bala de prata. Rash foi muito frequente, passando de 86% em uma análise descrita por especialistas, além de estomatite, diarreia, náuseas e vômitos. Ainda assim, houve menor interrupção por toxicidade grave em comparação à quimioterapia e relato de melhor qualidade de vida. O recado prático: não é “cura do pâncreas”. É possível mudança de padrão em uma doença cruel. E isso, aqui, já é muita coisa.

🔗 https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2605555

🔗 https://www.the-scientist.com/daraxonrasib-drug-doubles-pancreatic-cancer-survival-rate-in-phase-3-trial-74578

🔗 https://theconversation.com/breakthrough-drug-nearly-doubles-survival-with-advanced-pancreatic-cancer-an-oncologist-explains-how-daraxonrasib-overcame-an-undruggable-disease-283647

QUICK DROPS

🌎 _Mundo Afora_

Reuters: OMS informou 321 casos confirmados de Ebola na RDC e 116 suspeitos após revisão de centenas de notificações. https://www.reuters.com/business/healthcare-pharmaceuticals/who-321-confirmed-ebola-cases-drc-116-more-suspected-cases-2026-06-02/

CancerNetwork: triagem mamográfica com IA no estudo MASAI teve detecção de câncer 29% maior que dupla leitura tradicional. https://www.cancernetwork.com/view/investigating-the-emergence-of-artificial-intelligence-on-oncologic-practice

FDA: página de aprovações de novos medicamentos de 2026 segue atualizada para acompanhar decisões regulatórias recentes. https://www.fda.gov/drugs/novel-drug-approvals-fda/novel-drug-approvals-2026

🇧🇷 _Brasil Adentro_

Ministério da Saúde: Hackathon SUS recebe startups até 10 de junho para soluções em diagnóstico, monitoramento e cirurgia oncológica. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/junho/hackathon-sus-seleciona-projetos-inovadores-de-startups-ate-10-de-junho

Ministério da Saúde: radioterapia no SUS cresceu 22% entre 2023 e 2025, com 36 aceleradores entregues. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/junho-1/plano-de-expansao-da-radioterapia-do-sus-recebe-premio-nacional-por-ampliar-acesso-ao-tratamento-do-cancer

Ministério da Saúde: Brasil articula consórcio nacional de pesquisa em câncer com 11 instituições de referência. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/brasil-articula-consorcio-de-pesquisa-em-cancer-com-a-participacao-de-11-instituicoes

💼 Termômetro: saúde virou vitrine de inovação, agora falta atravessar a porta do serviço

A semana está com cheiro de política industrial em saúde. Guia para startups no SUS, Hackathon com Anvisa, OPAS, HU Brasil e prêmios de até R$ 100 mil, consórcio nacional de pesquisa em câncer e expansão de radioterapia no mesmo pacote narrativo. O mercado adora chamar isso de ecossistema. O médico chama de “tomara que funcione antes do paciente desistir da fila”.

O lado bom: o governo está tentando aproximar startup, regulação, hospital universitário e necessidade real. O lado menos instagramável: inovação que não conversa com fluxo assistencial vira demo bonita e prontuário abandonado. A régua deve ser desfecho, escala, segurança e interoperabilidade. O resto é pitch deck com estetoscópio.

🔗 https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/junho/hackathon-sus-seleciona-projetos-inovadores-de-startups-ate-10-de-junho

📈 Contra Dados: IA detecta mais, mas validação ainda manda no jogo

O estudo MASAI mostrou 29% mais detecção de câncer com mamografia assistida por IA frente à dupla leitura tradicional, com valor preditivo positivo de recall também maior. É um número forte. Só que “mais detecção” precisa andar junto com falso positivo, sobrediagnóstico, fluxo de biópsia, treinamento local e responsabilidade clínica. A IA pode ser ótimo residente de radiologia. Ainda não merece CRM honorário.

🔗 https://www.cancernetwork.com/view/investigating-the-emergence-of-artificial-intelligence-on-oncologic-practice

_De plantão pra você, Will 🎩 | Edição #88_