Diretriz
GINA 2026: O que temos de novidades
Principais novidades do GINA 2026
O relatório GINA 2026 trouxe atualizações importantes em relação ao documento de 2025, especialmente no manejo da asma aguda, no uso de terapias de resgate anti-inflamatórias e na escolha de tratamento para asma grave.
1. Manejo de exacerbações e asma aguda
Foram adicionados quatro novos fluxogramas padronizados para avaliação, tratamento e seguimento de pacientes com exacerbação ou asma aguda:
Cenário | Faixa etária |
|---|---|
Atenção primária | Adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos |
Unidade de emergência / pronto atendimento | Adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos |
Atenção primária | Crianças de até 5 anos |
Unidade de emergência / pronto atendimento | Crianças de até 5 anos |
Principais mudanças:
Classificação padronizada da gravidade: os fluxogramas agora orientam a classificação em apresentações leves, moderadas, graves e com risco de vida.
Uso de escore clínico em pediatria: para crianças e adolescentes até 17 anos com exacerbação, há forte recomendação para uso de escore validado, como o PRAM (Pediatric Respiratory Assessment Measure).
Anafilaxia associada à asma: se houver sinais de anafilaxia junto ao quadro de asma, a recomendação é administrar epinefrina/adrenalina primeiro, antes dos broncodilatadores.
Oxigênio com limiar mais restritivo: oxigênio suplementar não é recomendado rotineiramente, exceto se a saturação estiver abaixo de 92%.
Alvo de saturação revisado: em adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos, quando oxigênio for usado, o alvo superior recomendado é até 95%. Em crianças de até 5 anos com sibilância aguda ou exacerbação grave, o alvo é ≥ 92%.
Doses mais conservadoras de SABA: as doses de salbutamol/albuterol foram ajustadas para reduzir risco de toxicidade, incluindo acidose lática, que pode causar hiperventilação compensatória e ser confundida com piora da asma.
Reavaliar antes de repetir broncodilatador: após a dose inicial em apresentações leves, o paciente deve ser reavaliado antes de novas administrações automáticas.
Agitar o inalador antes de cada disparo: especialmente salbutamol/albuterol e outros pMDIs em suspensão, para evitar subdose ou superdose acidental.
ICS-formoterol na exacerbação leve: passou a ser opção para adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos com exacerbação leve, como alternativa ao SABA, ajudando a transicionar o paciente para tratamento anti-inflamatório após a alta.
Técnica inalatória com pMDI e espaçador: o documento reforça detalhes de técnica, incluindo respiração corrente e técnica de inspiração única com pausa.
Planejamento de alta e seguimento: uma exacerbação que exige atendimento urgente ou corticoide oral é tratada como um “sinal de alerta” para revisar o tratamento de manutenção e prevenir nova crise.
Stewardship de corticoide oral: o GINA reforça a necessidade de reduzir exposição desnecessária a OCS, otimizando terapia inalatória e considerando biológicos quando indicados.
2. Diagnóstico e função pulmonar
O fluxograma diagnóstico de asma em adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos foi simplificado.
O GINA 2026 manteve o critério tradicional de resposta ao broncodilatador em adultos e adolescentes:
aumento do VEF1 ou CVF ≥ 12% e ≥ 200 mL.O critério alternativo de >10% do valor previsto, proposto anteriormente, não foi adotado como substituto, porque novos dados sugerem risco de subdiagnóstico, especialmente em alguns grupos de pacientes.
3. Tratamento em crianças de 6 a 11 anos
O relatório incorporou novos dados sobre o uso de budesonida-formoterol em baixa dose sob demanda como terapia de alívio anti-inflamatória nos Steps 1 e 2.
O estudo CARE mostrou redução de quase metade no risco de exacerbações moderadas a graves em crianças que usavam SABA isolado.
Ainda existe lacuna de evidência no Step 2: não está totalmente definido se ICS-formoterol sob demanda é tão eficaz quanto ICS diário com SABA de resgate.
O GINA reforça que MART com ICS-formoterol permanece uma opção baseada em evidência nos Steps 3 e 4 para essa faixa etária.
Foram atualizadas as orientações sobre em qual step iniciar o tratamento em crianças de 6 a 11 anos.
4. Tratamento em adultos e adolescentes
O Track 1 continua sendo a via preferencial, com ICS-formoterol como terapia de manutenção e alívio, por reduzir exacerbações graves, exposição a corticoide sistêmico e necessidade de atendimento urgente.
O Track 2 agora inclui ICS-SABA no Step 1, como terapia de alívio anti-inflamatória.
Essa mudança foi baseada em evidências como o estudo BATURA, no qual ICS-SABA sob demanda reduziu quase pela metade o risco de exacerbações graves em comparação com SABA isolado.
O GINA destaca que o Track 2 exige mais atenção à adesão e à técnica, porque nos Steps 2 a 5 o paciente pode precisar usar dois inaladores diferentes.
O documento deixou de enfatizar apenas “dose máxima diária” de resgate e passou a orientar o paciente a procurar atendimento médico se precisar ultrapassar determinado número de inalações em 24 horas.
No Step 5, foi incluída a combinação tripla em inalador único budesonida-formoterol-glicopirrônio como opção ICS-LABA-LAMA para pacientes não controlados apesar de ICS-LABA em dose média.
5. Asma grave e biológicos
Foram adicionadas novas opções para asma grave:
Depemokimab: anti-IL-5 de longa duração, aplicado a cada 26 semanas, aprovado para asma eosinofílica grave a partir de 12 anos.
Omalizumab-igec: primeiro biossimilar anti-IgE, com as mesmas indicações do omalizumabe.
O GINA atualizou a árvore de decisão para escolha de biológicos em adultos e adolescentes com asma grave e inflamação Tipo 2.
A escolha do biológico deve considerar:
critérios locais de elegibilidade;
preditores de boa resposta;
comorbidades;
custo;
via de administração;
frequência de dose;
preferência do paciente.
Foi adicionada uma tabela com exemplos de indicações não relacionadas à asma para biológicos, como rinossinusite crônica com pólipos nasais e dermatite atópica, ajudando na escolha quando há comorbidades Tipo 2.
6. Novas ferramentas de avaliação clínica
Foram incorporadas ou reforçadas ferramentas para avaliação de sintomas, controle e risco:
Ferramenta | Aplicação |
|---|---|
CAAT | Questionário de 8 itens para avaliação do estado de saúde em doenças respiratórias, incluindo asma e DPOC |
Peds-AIRQ | Avalia sintomas, uso de resgate, limitação de atividade e risco futuro em crianças de 5 a 11 anos |
PRAM | Escore validado para gravidade de exacerbação em crianças e adolescentes |
7. Outras atualizações relevantes
Vacinação: houve atualização das evidências sobre vacinas contra influenza, COVID-19 e VSR.
VSR: o relatório menciona imunização materna contra VSR e uso de nirsevimabe em lactentes, com interesse em avaliar se a redução de infecção grave por VSR pode impactar futuramente a incidência de asma infantil.
GLP-1 e obesidade: o GINA cita dados observacionais sugerindo possível papel futuro dos agonistas do receptor de GLP-1 na melhora de desfechos da asma em pacientes com obesidade.
Nomenclatura de doses: as tabelas passaram a priorizar as doses entregues (delivered doses), com as doses medidas/nominais entre parênteses, alinhando-se ao padrão global.
Link oficial
Relatório oficial: 2026 GINA Strategy Report – Global Strategy for Asthma Management and Prevention. (ginasthma.org)
PDF gratuito:
Download Free PDF – GINA 2026 Strategy Report