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MedDrop #44

INCA lança estudo pioneiro para rastrear câncer de pulmão no SUS; ANVISA aprova Rystiggo para miastenia gravis

🏥 Plantão #44 — Terça-feira, 7 de Abril de 2026

⏱ ~7 min de leitura | 10 stories

_A medicina que importa, todo dia._

🧠 Hoje eu aprendi...

que o maior ensaio clínico randomizado já feito com vitamina D envolveu 25.871 participantes e durou cinco anos. O resultado: suplementação não reduziu risco cardiovascular, câncer ou mortalidade em adultos saudáveis. Conclusão dos pesquisadores: só supplementing quando há deficiência real. (N Engl J Med 2019; 380:1731-1742)

No Plantão de hoje:

• INCA lança estudo pioneiro para rastrear câncer de pulmão no SUS

• ANVISA aprova Rystiggo para miastenia gravis: nova opção para doença rara

• 🩺 Na Prática: como rastrear cáncer de pulmão na sua sala

• ⚡ 6 Quick Drops

• 📈 Contra Dados: apenas 0,3% dos brasileiros aderem à prevenção cardiovascular

INCA inicia estudo para rastrear cáncer de pulmão no SUS: pode mudar o jogo

O Instituto Nacional do Câncer abriu, no dia 1º de abril, um estudo inédito que vai avaliar se vale a pena implementar um programa de rastreamento de cáncer de pulmão dentro do SUS. A pesquisa, feita em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e financiada pela AstraZeneca, vai durar dois anos e incluir pelo menos 397 pacientes.

Por que isso importa: o cáncer de pulmão é a principal causa de morte por cáncer no Brasil. Em 2024, foram 32.465 óbites por mês. O problema não é falta de tratamento, é diagnóstico tardio. Cerca de 84% dos casos são pegos em estágio avançado, quando as opções são limitadas. A taxa de sobrevida em cinco anos fica em apenas 5,2%.

O rastreamento usa tomografia computadorizada de baixa dose, um exame rápido que consegue identificar tumores pequenos antes que deem sintomas. Evidências internacionais mostram que, em populações de alto risco, esse método reduz a mortalidade em 20%. Quando combinado com cessação do tabagismo, a redução sobe para 38%.

Os critérios de elegibilidade seguem o consenso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e do Colégio Brasileiro de Radiologia: pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes que pararam há menos de 15 anos, com consumo de pelo menos 20 cigarros por dia durante 20 anos. No Rio, a Secretaria Municipal tem 50 mil participantes no Programa de Cessação de Tabagismo.

Se os resultados confirmarem o que a literatura internacional já sugere, o Brasil pode ganhar, nos próximos anos, o primeiro protocolo nacional de rastreamento de cáncer de pulmão. Enquanto isso, a mensagem para a clínica permanece clara: pedir uma TC de baixa dose para pacientes que se enquadrem nos critérios não é overkill, é medicina baseada em evidência.

🔗 https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/inca-lanca-estudo-para-programa-de-rastreamento-de-cancer-de-pulmao

ANVISA aprova Rystiggo: uma nova terapia para miastenia gravis que ataca a raiz do problema

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, no dia 6 de abril, o registro do Rystiggo (rozanolixizumabe) para o tratamento da miastenia gravis generalizada. O medicamento é indicado como terapia complementar ao tratamento padrão para pacientes adultos com anticorpos anti-receptor de acetilcolina ou anti-tirosina quinase específica do músculo.

O que o fármaco faz de diferente: ele bloqueia o receptor FcRn, responsável por reciclar anticorpos IgG no organismo. Ao inibir esse mecanismo, o medicamento acelera a degradação dos autoanticorpos que atacam a junção neuromuscular, a causa direta da fraqueza muscular na doença. O resultado é uma redução na concentração desses anticorpos patológicos e melhora da função muscular.

Os ensaios clínicos de fase 3 envolveram cerca de 200 participantes. A taxa de resposta funcional ficou acima de 68%. O benefício foi mais acentuado em pacientes com anticorpos anti-MuSK, um subgrupo historicamente mais difícil de tratar e com menos opções terapêuticas. A vía de administração é subcutânea, em ciclos de seis semanas.

A miastenia gravis é uma doença autoimune rara que compromete a comunicação entre nervos e músculos. A estimativa é que afete 14 a 20 pessoas por 100 mil habitantes no Brasil. Os sintomas incluem fraqueza muscular progressiva, fadiga intensa e, em casos graves, crise miasténica com insuficiência respiratória.

Com a adição do rozanolixizumabe ao arsenal terapêutico, a perspectiva para esses pacientes muda. São agora três opções biológicas targeting o FcRn disponíveis no país: eculizumabe, ravulizumabe e agora o rozanolixizumabe. Cada um com perfil diferente de resposta e segurança.

🔗 https://portal.afya.com.br/neurologia/anvisa-aprova-novo-tratamento-para-miastenia-gravis-generalizada

QUICK DROPS

🌎 _Mundo Afora_

WHO: Sarampo em Bangladesh mata mais de 100 crianças em menos de um mês; OMS e UNICEF iniciam campanha de vacinação emergencial em 18 distritos. https://www.sfchronicle.com/news/world/article/bangladesh-conducts-emergency-measles-22192699.php

WHO: Dia Mundial da Saúde 2026 traz o tema Together for health. Stand with science., com OMS pedindo renovação do compromisso com a ciência como motor de saúde global. https://www.who.int/news/item/06-04-2026-who-calls-for-action---together-for-health.-stand-with-science.--to-mark-world-health-day

Butantan: Instituto firma parceria com biofarmacêutica americana MSD para produzir pembrolizumabe, medicamento oncológico, para pacientes do SUS. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-03/butantan-produzira-remedio-contra-cancer-para-o-sus

🇧🇷 _Brasil Adentro_

Butantan: Na reta dos 125 anos, Instituto inicia ensaio clínico de vacina adjuvada contra a gripe direcionada a pessoas com mais de 60 anos. https://butantan.gov.br/noticias/butantan-inicia-estudo-clinico-de-vacina-adjuvada-contra-gripe-em-pessoas-acima-de-60-anos

Fiocruz: Cooperação técnica com a agência de avaliação de tecnologias sanitárias do Uruguai para intercambiar experiências em ATS. https://www.ocafezinho.com/2026/04/06/fiocruz-firma-cooperacao-com-agencia-sanitaria-do-uruguai/

ANVISA: Atualiza lista de medicamentos de baixo risco com novas inclusões de paracetamol, cloreto de sódio e simeticona. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-atualiza-a-lista-de-medicamentos-notificados-de-baixo-risco-sujeitos-a-notificacao-lmn

🩺 NA PRÁTICA — Rastreamento de cáncer de pulmão: quem solicitar TC de baixa dose

Critérios do consenso SBCT/SBPT/CBR:

1. Idade entre 50 e 80 anos

2. Fumante atual ou ex-fumante que parou há menos de 15 anos

3. Carga tabágica igual ou maior que 20 anos-maço

Se os três presentes: solicitar TC de tórax de baixa dose. Não requer preparo, não é preciso contraste, o exame leva menos de cinco minutos.

Achados incidentais são frequentes: nódulos pulmonares, calcificações, enfisema. Ter um fluxo de encaminhamento para o pneumologista evita atrasos.

A sobrevida em cinco anos para estágios iniciais chega a 70-90% com tratamento adequado. Para estágios avançados, cai para menos de 20%.

📈 CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

"Apenas 0,3% dos pacientes brasileiros com aterotrombose aderem a todas as medidas de prevenção cardiovascular recomendadas."

Isso inclui: controle de LDL, pressão arterial e glicemia, suspensão do tabagismo, prática de atividade física e alimentação saudável. O dado revela uma falha sistêmica, não uma falha do paciente.

🔗 https://revistapesquisa.fapesp.br/en/around-400000-people-died-due-to-cardiovascular-problems-in-brazil-in-2022/

_De plantão pra você, Will 🎩 | Edição #44_