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MedDrop #99

LMA no SUS e glicose no bolso

🏥 Plantão #99 — Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

⏱ ~7 min de leitura | 11 notícias

_A medicina que importa, todo dia._

🧠 Hoje eu aprendi...

Hemovigilância não é burocracia de banco de sangue. É o sistema que rastreia eventos adversos da doação à transfusão, e é uma das diferenças entre sangue disponível e sangue realmente seguro. A OMS voltou a bater nessa tecla no relatório global de 2025.

🔗 https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/blood-safety-and-availability

No Plantão de hoje:

• LMA no SUS: venetoclax com azacitidina entra para adultos sem condição de quimio intensiva

• Glicose no bolso: FDA libera monitor contínuo sem prescrição para crianças a partir de 2 anos

• 📖 Leitura da Semana: sangue seguro melhorou, mas acesso ainda é desigual

• ⚡ 6 Quick Drops

• 📊 Stats: 120 milhões de doações de sangue no mundo em 2023

LMA no SUS: venetoclax com azacitidina saiu do parecer e entrou na vida real

O SUS incorporou venetoclax em combinação com azacitidina para adultos com leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada e inelegíveis à quimioterapia intensiva. A decisão apareceu na Portaria SCTIE/MS nº 30, de 12 de junho de 2026, e foi consolidada pelo Conass no pacote de incorporações publicado nesta semana. A notícia é bem específica, mas o impacto é grande. LMA em paciente frágil não espera o sistema terminar de pensar.

Por que importa? Porque esse é justamente o grupo em que o tratamento tradicional costuma tropeçar no mundo real: idosos, pacientes com comorbidades, reserva funcional ruim e pouca margem para toxicidade. A Abrale acompanhou a discussão na Conitec desde fevereiro e destacou a agressividade da doença, a necessidade de decisão terapêutica rápida e as limitações do acesso no SUS. Tradução sem verniz: não adianta saber tratar se a porta de entrada chega tarde e a prateleira está vazia.

E agora? Incorporação não é sinônimo de disponibilidade amanhã cedo. Ainda vem protocolo, compra, distribuição, linha de cuidado e treinamento. Mas a direção é boa: oncologia hematológica no SUS precisa de mais opções para quem não cabe na quimioterapia intensiva. O consultório deve ficar atento ao fluxo local, ao tempo até início do tratamento e à conversa honesta com família. Na LMA, calendário também é marcador prognóstico.

🔗 https://www.conass.org.br/conass-informa-n-109-2026-publicadas-portarias-sctie-que-tornam-publicas-decisoes-sobre-incorporacoes-no-sistema-unico-de-saude/

🔗 https://abrale.org.br/abrale-na-politica/ministerio-da-saude-incorpora-medicamento-para-leucemia-mieloide-aguda-lma/

Glicose no bolso: FDA libera monitor contínuo sem prescrição para crianças a partir de 2 anos

A agência reguladora dos Estados Unidos liberou o primeiro monitor contínuo de glicose sem prescrição para crianças: o Stelo Glucose Biosensor System, da Dexcom. A indicação é para pessoas a partir de 2 anos que não usam insulina. O sensor veste no corpo, conversa com um aplicativo e mostra medidas e tendências de glicose a cada 15 minutos. Cada sensor dura até 15 dias, embora a própria agência reconheça que o tempo de uso pode ser menor em crianças.

O ponto clínico não é “todo mundo agora vai monitorar tudo”. Calma, wearable não é estetoscópio mágico. O ponto é que dispositivos antes presos ao universo do diabetes em uso de insulina estão descendo para o cuidado domiciliar amplo, com cuidador, aplicativo e dados em tempo quase real. A FDA também foi clara: o sistema não é para pessoas com hipoglicemia problemática, porque não foi desenhado para alertar esse risco. Também não é para pacientes em diálise.

O detalhe mais interessante é regulatório: a decisão usou dados de estudos prévios em adultos e crianças, além de evidência de mundo real sobre uso de monitores contínuos. É a medicina digital passando pelo teste chato, mas necessário, de segurança, indicação correta e limite de interpretação. Para o pediatra e o endocrino, a mensagem é simples: tecnologia ajuda, desde que ninguém ajuste remédio só porque o gráfico ficou bonito.

🔗 https://www.fda.gov/news-events/press-announcements/fda-clears-first-over-counter-continuous-glucose-monitor-children

QUICK DROPS

🌎 _Mundo Afora_

OMS: Doações voluntárias passaram de 85%, mas desigualdade no acesso a sangue seguro segue grande. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/blood-safety-and-availability

FDA: Projeto TEMPO mira dispositivos digitais com dados de mundo real e foco em desfechos relevantes para pacientes. https://www.fda.gov/medical-devices/digital-health-center-excellence/tempo-digital-health-devices-pilot-frequently-asked-questions

BMJ: Debate sobre vacina contra tuberculose VPM1002 lembra que endpoint primário nulo não mata uma hipótese, só acaba com a festa fácil. https://www.bmj.com/content/393/bmj-2025-085716/rr-1

🇧🇷 _Brasil Adentro_

Conass: Portaria SCTIE/MS nº 31 criou grupo permanente para monitorar Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo. https://www.conass.org.br/conass-informa-n-108-2026-publicada-portaria-sctie-n-31-que-institui-o-grupo-permanente-de-monitoramento-e-avaliacao-do-programa-de-parcerias-para-o-desenvolvimento-produtivo/

Fiocruz: Câmara Técnica discutiu fomento e prioridades da pesquisa em saúde coletiva no SUS. https://fiocruz.br/noticia/2026/06/segunda-reuniao-da-camara-tecnica-de-pesquisa-realiza-debate-sobre-fomento

SBFTE: Sociedade publicou nota de apoio ao Butantan e reforçou confiança no processo técnico de avaliação da vacina da dengue. https://sbfte.org.br/nota-de-apoio-da-sbfte-ao-instituto-butantan

📖 LEITURA DA SEMANA — Sangue seguro é infraestrutura, não campanha bonita

A leitura de hoje é o relatório da OMS sobre segurança e disponibilidade de sangue. Parece tema de banco de sangue, mas atravessa obstetrícia, trauma, oncologia, cirurgia e doença crônica. O dado bom: as coletas globais cresceram quase 19% entre 2013 e 2023, e doadores voluntários não remunerados já respondem por mais de 85% das doações estimadas. O dado ruim: acesso continua desigual, e muitos países ainda patinam em governança, financiamento e regulação.

Para o médico na ponta, a provocação é prática. Quando falta sangue, a medicina fica subitamente menos moderna. A cirurgia eletiva trava, a hemorragia obstétrica vira tragédia anunciada, a oncologia atrasa, o trauma improvisa. Hemoterapia boa é aquela que ninguém lembra até precisar. Igual oxigênio, só que com formulário.

🔗 https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/blood-safety-and-availability

📊 STATS

Em 2023, o mundo recebeu cerca de 120 milhões de doações de sangue, segundo a OMS. Entre 2013 e 2023, as coletas globais cresceram quase 19%. Ainda assim, o acesso segue profundamente desigual. A parte amarga é essa: segurança transfusional não depende só de boa vontade do doador, depende de sistema.

🔗 https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/blood-safety-and-availability

_De plantão pra você, Will 🎩 | Edição #99_