MedDrop #156
Loberamisal sinaliza ganho e FiO₂ inicial termina empatada
Bom dia. A sexta fecha com dois ensaios que mexem em certezas diferentes, sem licença para atalhos.
Desfecho primário neutro não apaga um sinal secundário, mas também não lhe entrega a chave do protocolo. fonte →
Neuroprotetor investigacional elevou mRS 0–1 em um ensaio chinês; FiO₂ inicial de 30% não superou o ar no desfecho primário de prematuros moderados e tardios.
Nesta edição
- 01Loberamisal amplia independência em ensaio chinês
- 02FiO₂ de 30% não vence o ar no desfecho principal
Loberamisal amplia independência em ensaio chinês
O ponto: No LAIS, loberamisal investigacional aumentou mRS 0–1 em 90 dias, mas a exclusão de trombectomia e o cenário de um único país limitam aplicação imediata.
O LAIS foi um fase 3 multicêntrico, duplo-cego e controlado por placebo em 32 hospitais da China. Incluiu adultos de 18 a 80 anos, NIHSS de 7 a 20 e mRS prévio até 1, tratados em até 48 horas após AVC isquêmico. Dos 998 randomizados, 997 entraram na análise primária.
Loberamisal 40 mg intravenoso uma vez ao dia por dez dias, além do cuidado padrão, levou a mRS 0–1 em 69,7% aos 90 dias, contra 56,3% com placebo. A diferença de risco foi 13,28 pontos percentuais, IC95% de 7,24 a 19,32. Eventos adversos e graves foram semelhantes entre os grupos.
O efeito pede confirmação em um cenário mais próximo da prática global. Trombectomia foi excluída, trombólise apareceu em cerca de 17% e alguns desfechos secundários não se separaram. O medicamento permanece investigacional. O ensaio abre a porta científica; a farmácia continua do lado de fora.
aos 90 dias, loberamisal versus placebo
Linha do tempo
- 0–48 hJanela de inclusão e início do tratamento
- 10 diasCurso intravenoso diário
- 90 diasAvaliação funcional pelo mRS
Pontos-chave
- Benefício no desfecho primário dicotômico e na análise ordinal de mRS
- Sem diferença relevante no perfil global de eventos adversos
- Generalização limitada por seleção clínica, país único e ausência de trombectomia
O que muda no plantão
- Não alterar protocolo assistencial agora
- Acompanhar replicação internacional e integração com terapias de reperfusão
- Exigir definição regulatória de janela e população antes de uso clínico
Neonatologia
FiO₂ de 30% não vence o ar no desfecho principal
O ponto: No AIROPLANE, iniciar suporte com FiO₂ 0,30 não reduziu o suporte respiratório ao sair da sala de parto versus 0,21; menor intubação foi achado secundário.
O AIROPLANE usou randomização por hospital com crossover em 26 centros australianos. Incluiu 1.818 recém-nascidos de 32 a 35 semanas que necessitaram suporte respiratório nos primeiros três minutos, comparando FiO₂ inicial de 0,30 com 0,21.
O desfecho primário, algum suporte respiratório ao deixar a sala de parto, ocorreu em 72,6% e 73,3%, respectivamente. A diferença de risco de -0,83 ponto percentual não foi significativa, e dez de 12 desfechos secundários também não diferiram.
Ventilação endotraqueal após a sala de parto foi menos frequente com 0,30, 6,4% versus 9,3%, mas é um sinal secundário. O estudo aberto cobre apenas 32 a 35 semanas. Titulação por saturação e diretrizes locais seguem centrais. Para o protocolo, empate também é resultado.
FiO₂ inicial 0,21: suporte ao sair da sala em 73,3%
FiO₂ inicial 0,30: suporte ao sair da sala em 72,6%
Pontos-chave
- Desfecho primário praticamente idêntico entre FiO₂ 0,30 e 0,21
- Sinal secundário de menos ventilação endotraqueal com 0,30
- Resultado não permite declarar superioridade universal de uma estratégia
O que muda no plantão
- Não trocar automaticamente a FiO₂ inicial em todos os serviços
- Garantir titulação rápida, registro da FiO₂ e metas de saturação
- Acompanhar confirmação do sinal sobre ventilação invasiva
Super Centro Brasil de Diagnóstico de Câncer, em 2026
Ver o dado na fonte →PASSAGEM DE PLANTÃOEnquanto você atendia
Brasil em foco
→ Laudo em oito dias O Super Centro Brasil de Diagnóstico de Câncer informa 56,5 mil procedimentos em 2026 e prazo médio nacional de oito dias; em Manaus, a operação assistida reduziu o prazo informado de mais de 30 para menos de dez dias.
→ Frio põe a rede em vigilância Orientação federal pede atenção a agravamentos cardiovasculares e respiratórios no Sul; seis novas bases regionais da Força Nacional do SUS são previstas até o fim do ano.
→ Vacina via aérea A etapa final da Operação Gota vai de 10 a 20 de setembro em 22 aldeias do Médio Rio Purus. Em 2026, foram informadas 14 mil doses em 121 aldeias.
Lá fora
→ EMA redesenha ensaios de cefaleia Consulta até 31 de janeiro de 2027 revisa desfechos e desenho de estudos em enxaqueca e cefaleia em salvas, incluindo ausência de dor em duas horas sem resgate no tratamento agudo.
→ AR no relógio de 3 e 6 meses Revisão da JAMA reforça melhora de pelo menos 50% em três meses e remissão ou baixa atividade em seis, com escalonamento e avaliação de risco antes de inibidores de JAK.
Na próxima semana: replicação do loberamisal, confirmação do sinal de menor intubação e a distância entre laudo digital e tratamento iniciado.
Fontes e referências
- Loberamisal for Acute Ischemic Stroke: The LAIS Randomized Clinical Trial
- Oxygen vs Air at Birth for Moderate- to Late-Preterm Infants: The AIROPLANE Cluster Randomized Crossover Trial
- Super Centro Brasil de Diagnóstico de Câncer realiza 56,5 mil procedimentos em 2026
- Ministério da Saúde reforça orientações para proteger a população durante frio no Sul
- Operação Gota encerra ações de 2026 com vacinação no Médio Rio Purus, no Amazonas
- Draft guideline on clinical investigation of medicinal products for treatment of migraine and cluster headache, revision 2
- Rheumatoid Arthritis in Adults: A Review