MedDrop #67
Zanidatamab no Câncer Gástrico e a Explosão de Influenza no Brasil
🏥 Plantão #67 — Terça-feira, 5 de Maio de 2026
⏱ ~6 min de leitura | 10 stories
_A medicina que importa, todo dia._
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🧠 Hoje eu aprendi...
que a palavra "clínica" vem do grego kline (leito ou cama), referindo-se originalmente ao médico que visitava e examinava o paciente em seu leito de dor. O termo evoluiu para designar não apenas o local, mas o próprio método de observação direta do doente.
_Fonte: Etimologia Médica, USP._
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No Plantão de hoje:
• Zanidatamab: o novo padrão HER2+ para câncer gástrico avança com sobrevida recorde
• Alerta SRAG: Influenza A dispara no Brasil e Fiocruz reforça urgência vacinal
• 🩺 Na Prática: Protocolo de choque anafilático — o tempo é o seu maior inimigo
• ⚡ 6 Quick Drops: De cura do diabetes tipo 1 a novas regras para Cannabis
• 📈 Contra Dados: O ritmo acelerado de incorporações no SUS em 2026
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Zanidatamab estabelece novo marco no câncer gástrico HER2+ avançado
Resultados robustos do simpósio de cânceres gastrointestinais de 2026 acabam de elevar o zanidatamab (um anticorpo biespecífico) ao centro das atenções na oncologia. O estudo demonstrou que a combinação de zanidatamab com tislelizumabe e quimioterapia atingiu uma sobrevida livre de progressão (PFS) mediana de 12,4 meses em pacientes com adenocarcinoma gastroesofágico HER2-positivo avançado ou metastático. O dado é particularmente impressionante quando comparado aos padrões atuais de cuidado, sugerindo um controle de doença significativamente mais duradouro e eficaz.
Por que importa? O câncer gástrico HER2+ é historicamente agressivo e com opções de tratamento limitadas após a falha inicial. O zanidatamab atua ligando-se a dois epítopos distintos do receptor HER2, o que resulta em um bloqueio de sinalização mais potente e maior recrutamento do sistema imune do paciente. A eficácia demonstrada no estudo de fase 3 sustenta o zanidatamab como uma potencial terapia de primeira linha, oferecendo esperança real de extensão de vida para uma população que carecia de avanços disruptivos há anos.
E agora? O FDA já concedeu revisão prioritária (Priority Review) para a combinação, com decisão esperada para os próximos meses. No Brasil, o medicamento segue sob monitoramento da Anvisa, mas a comunidade oncológica já se prepara para a integração dessa terapia agnóstica no manejo hospitalar. A tendência é que bioprospecções mais precisas e combinações de imunoterápicos com anticorpos biespecíficos se tornem o novo padrão-ouro para tumores sólidos HER2-amplificados.
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Tempestade respiratória: Influenza A dispara e cobre o Brasil antes do esperado
A nova edição do Boletim InfoGripe, da Fiocruz, acende um alerta vermelho para o sistema de saúde brasileiro. Os dados coletados até a Semana Epidemiológica 13 de 2026 revelam que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Influenza A está em crescimento acelerado na maior parte dos estados do Norte, Nordeste e Sudeste. O vírus já responde por 27,4% dos casos positivos de SRAG no país, superando o SARS-CoV-2 (Covid-19) em volume de internações e óbitos recentes em diversas capitais. O fenômeno é atípico por ocorrer com força total antes mesmo do início do inverno cronológico.
A gravidade do cenário é reforçada pela circulação concomitante do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e Rinovírus, que juntos dominam as internações pediátricas. Em resposta, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica nº 5/2026, que atualiza os critérios de isolamento para casos suspeitos de SRAG nos serviços de saúde, enfatizando a necessidade de testagem rápida e o uso obrigatório de máscaras PFF2 em ambientes hospitalares com alta densidade de pacientes sintomáticos. A estratégia visa conter a transmissão intra-hospitalar, que tem pressionado as UTIs e aumentado o absenteísmo entre profissionais de saúde.
Para o clínico na ponta, a mensagem é clara: o limiar para suspeição e tratamento precoce com oseltamivir deve ser reduzido, especialmente em grupos de risco (idosos, gestantes e imunossuprimidos). A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe está em vigor até 30 de maio, mas a adesão ainda é considerada baixa em regiões críticas. A orientação é que a vacinação seja oferecida ativamente em cada consulta de rotina, aproveitando a janela de oportunidade antes que o pico sazonal de junho agrave ainda mais a ocupação de leitos.
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• QUICK DROPS
🌎 _Mundo Afora_
• Endocrine News: Icovamenib (DM1) mostra melhora sustentada do Peptídeo C em 52 semanas, sugerindo potencial regenerativo das células beta. https://endocrinenews.endocrine.org/pharma-friday-may-1-2026
• Targeted Oncology: Tabelecleucel recebe designação de terapia inovadora para linfomas associados ao vírus Epstein-Barr (EBV+) pós-transplante. https://www.targetedonc.com/view/q1-2026-5-fda-decisions-to-watch-in-oncology
• BusinessWire: EPX-100 (clemizol) entra em fase final de análise para Síndrome de Dravet, prometendo redução drástica de crises convulsivas. https://www.businesswire.com/newsroom/industry/health/clinical-trials
🇧🇷 _Brasil Adentro_
• SBC: Submissões abertas para o Congresso Mundial de Cardiologia 2026 no Rio; foco será em inteligência artificial aplicada à prevenção. https://www.portal.cardiol.br/noticias/temas-livres-do-81o-congresso-brasileiro-de-cardiologia-world-congress-of-cardiology-2026-estao-com-submissoes-abertas
• ANVISA: GGMED recebe 15 novos pedidos de registro para versões genéricas da empagliflozina, sinalizando queda futura nos preços dos SGLT2. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/votos-dos-circuitos-deliberativos-1/2026-1/cd-001-2026-voto.pdf
• Agência Gov: MEC e Saúde confirmam realização do ENAMED para estudantes do 4º ano de medicina a partir do segundo semestre de 2026. https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202509/ministerios-da-saude-e-da-educacao-homologam-novas-diretrizes-curriculares-de-medicina
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🩺 NA PRÁTICA — Anafilaxia: A regra de ouro dos 5 minutos
O sucesso no manejo da anafilaxia depende da velocidade. Não espere por estridor ou choque para agir. Se houver envolvimento de dois sistemas (ex: urticária + dispneia) ou queda súbita da PA após exposição a alérgeno, o protocolo é um só:
1. Adrenalina (1:1000) IM: 0,5 mg no vasto lateral (adultos). Repetir a cada 5-15 min se necessário. NUNCA faça SC ou IV direto (risco de arritmia fatal).
2. Posicionamento: Decúbito dorsal com pernas elevadas (se não houver angioedema de vias aéreas). O "reflexo de sela vazio" pode causar parada cardíaca súbita se o paciente se levantar.
3. Expansão Volêmica: SF 0,9% (20 ml/kg) se houver hipotensão. Corticoides e anti-histamínicos são adjuvantes de segunda linha e não salvam vidas na fase aguda.
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📈 CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
"Nos primeiros quatro meses de 2026, o SUS incorporou 12 novas tecnologias via CONITEC, um ritmo 40% superior à média histórica para o mesmo período."
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_De plantão pra você, Will 🎩 | Edição #67_